sábado, 23 de julho de 2011

Neoplasia Trofoblástica Gestacional – Mola Hidatiforme, Mola Invasora e Coriocarcinoma

Neoplasia é um crescimento anormal das células, comumente chamado de tumor.  Trofoblasto é a parede externa do embrião humano que forma posteriormente a camada superficial da placenta.  As Neoplasias Trofoblasticas Gestacionais são tumores originários do trofoblasto.

    As neoplasias trofoblásticas gestacionais (NTGs) dividem-se em 4 tipos.  O primeiro tipo é benigno, a mola hidatiforme.  E os 3 demais tipos são malignos, a mola invasora, o coriocarcinoma e o tumor trofoblastico de localização placentária.
 
Mola Hidatiforme:

    A mola hidatiforme ocorre em aproximadamente 1 em cada 1.500 gestações nos EUA (tendo, porém, uma incidência bem maior na Ásia e no 3º mundo), sendo encontrada em aproximadamente 1 em cada 600 abortos.  Esta divide-se em mola hidatiforme completa (75% dos casos) e parcial ou incompleta (25% dos casos).  As molas são mais comuns em gestantes muito jovens ou em idade avançada.

    Acredita-se que a mola completa se origina da fecundação de um óvulo que perdeu seu núcleo ou seus cromossomos por um espermatozóide, ou em casos menos comuns, por dois espermatozóides.  No primeiro caso o espermatozóide duplica seu próprio DNA.  A gravidez não possui embrião.

Já a mola parcial na maioria dos casos origina-se da fertilização de um óvulo normal por dois espermatozóides ou mais.  Possui feto, mas este quase sempre tem diversas anomalias incompatíveis com a vida.

    Os sintomas são sangramentos que aumentam a cada ocorrência de hemorragia, com corrimento amarelado entre as hemorragias e útero excessivamente grande e mole.  Os valores do Beta-HCG são demasiadamente altos para a semana gestacional.  Não existem batimentos cardíacos, e na ultrassonografia o aspecto é de vesículas ou cachos de uva.

    Em 80% dos casos a evolução é benigna, sendo que em 20% torna-se maligno.  18% tornam-se mola invasora e 2% coriocarcinoma (apenas ocorre em mola completa, sendo raro na parcial).

O tratamento é com curetagem a vácuo-aspiração, geralmente após este procedimento realiza-se estimulação com ocitocina e raspagem.  O material é enviado para biópsia a fim de confirmar o diagnóstico.  Se a mulher tiver idade avançada e não desejar mais engravidar pode-se considerar a histerectomia para afastar o risco de coriocarcinoma.

Mola Invasora:
 
    Ocorre em 1 a cada 12.500 gestações.  Origina-se de uma mola hidatiforme que se malignizou, penetrando no útero ou sendo encontrada em lugares distantes (metástase), mas mantendo a estrutura vilositária (diferentemente do coriocarcinoma).  Alguns dos sintomas são o teste de gravidez Beta-HCG permanecendo alto ou em crescimento por 2 ou 3 semanas consecutivas após a curetagem, ou por sangramentos persistentes após curetagens, útero grande demais e mole, cistos tecaluteínicos, sendo a incidência deste tipo de mola maior com idade materna avançada ou segunda gravidez molar, entre outros. 

     O tratamento é com quimioterapia quase sempre obtendo ótimos resultados especialmente quando não há metástase, preservando a fertilidade.  Outros acompanhamentos são necessários como RX, tomografia computadorizada e ultrassonografias de outros órgãos devido ao risco de metástase.  A mortalidade por mola invasora é muito rara.

Coriocarcinoma: 

Ocorre em 1 a cada 40 mil gravidezes aproximadamente.  É uma transformação maligna após qualquer tipo de gravidez, ocorrendo nessa ordem de incidência, mola hidatiforme especialmente a mola completa (50% dos casos), aborto (25%), gravidez normal (22%) ou gravidez ectópica (3%).  Alguns dos sintomas são valores do Beta-HCG muito altos e que não se negativam mesmo após curetagem necessitando repeti-las, sangramentos persistentes, útero grande demais, entre outros.  A idade avançada aumenta a incidência.  A metástase trás sintomas específicos de acordo com o órgão afetado.  A confirmação do Coriocarcinoma é através de biópsia e o tratamento é com múltiplos agentes quimioterápicos, sendo a forma mais grave de NTG.


Tumor trofoblastico de sítio placentário:

É raro, também pode apresentar malignidade, porém, geralmente cura-se com a curetagem.

Algumas Considerações:

Algumas considerações interessantes em qualquer gravidez, ainda que não haja suspeita de mola.  É útil realizar a ultrassonografia com 7 semanas para detectar os batimentos cardíacos, local da implantação e aspecto geral.  Sintomas como sangramentos que não cessam, dores, útero excessivamente grande para a idade gestacional e mole, valores do Beta excessivamente altos para a semana de gravidez devem ser observados. Em caso de aborto deve haver um acompanhamento dos valores do Beta-HCG até que se negativem.  Alguns especialistas em reprodução também recomendam a realização da histeroscopia diagnóstica após aborto.

6 comentários:

  1. Ingrid!!!

    Mas, que absurdo!! Como você ainda não veio escrever aqui que tá grávida!!!
    Lembra do título desse blog?? Da fertilidade à MATERNIDADE.
    Agora você tem que escrever sobre a gravidez!!!

    To imensamente feliz pr você!!

    Beijos!

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  2. Ingrid, boa tarde!

    Antes de tudo, PARABÉNS pelo seu excelente blog (um dos mais bem explicados que já vi até agora). Li a sua história e penso da mesmíssima maneira que vc (tive um aborto espontâneo) e não vou esperar até ter o segundo/terceiro para investigar a causa do meu problema(até pq já tenho pistas do que pode ter sido - trombofilia). Se possível, gostaria do seu email para tirar mais algumas dúvidas e trocar experiencia com vc.

    Obrigada,

    Carolina

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  3. O blog esta de parabéns, até o momento é o que melhor explica esse tipo de diagnóstico...
    Eu sou mãe de um menino (lindo por sinal...rs) de 7 anos, desde que ele nasceu eu tomo o anticoncepcional Cerazette, por ser um medicamento sem pausa, eu não menstruava desde então.
    Em junho deste ano eu decidi engravidar novamente e parei com o Cerazette, não cheguei a menstruar, até tive um sangramento no fim de agosto, que imaginei ser a menstruação, mais cessou e somente em setembro começou novamente, já com uma coloração escura. Como eu também apresentava alguns sinais de gravidez (seios inchados, fome constante e barriga saliente), fiz o exame de farmácia (dois por sinal), com resultado positivo!
    Fui ao GO e ele me pediu um US transvaginal, que foi inconclusivo, pois parecia uma gravidez, porém haviam mais imagens que não deveriam estar lá numa gravidez normal. Realizei também o Beta quantitativo, e o resultado foi muito alto para a "idade gestacional" que eu parecia estar, resultado = 10.000.
    Repeti o US na semana seguinte e então, ao invés de uma gravidez meu diagnóstico foi a Mola, pois o que parecia ser o embrião no primeiro US não apresentava batimentos e agora se assemelhava com as demais imagens.
    A partir daí tudo mudou, meu útero estava muito grande e crescendo rápido, fui submetida a uma curetagem de emergência.
    Uma semana após a alta hospitalar refiz o Beta e o resultado foi melhor, 838. Precisa zerar para ser bom, mais esta baixando e isso é bom sinal.
    Também refiz o US transvaginal, porém ainda apareciam alguns "coágulos" vamos dizer assim...Poderia ser resto de mola não retirado durante a cirurgia ou somente coágulos que se formam no útero.
    Para ter certeza de que não é uma mola invasora, fiz um Raio X (resultado normal), um US, e o Beta que uma semana após o ultimo resultado apresentou uma melhora, pois baixou para 113.
    Uma segunda curetagem foi descartada e agora estou realizando os exames semanalmente para acompanhar...

    Nunca entendi como isso veio acontecer comigo, uma doença rara, sem muitas explicações concretas do porque de aparecer... Dizem que é mais comum em sangue tipo B, o meu é A, também em mulheres muito jovens ou mais velhas, eu estava com 27 anos, mais o fato é que aconteceu e precisamos conhecer nosso corpo e estar alerta aos sinais de que há algo errado.
    Depois do susto, estou me dedicando primeiramente a minha saúde, para futuramente poder aumentar de fato a família linda que Deus me deu!!

    Espero ter contribuído com minha história, como uma forma de alerta aos sintomas e também uma forma de compartilhar com aquelas que passaram ou estão passando pelo mesmo do que eu.


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    1. oi Camila Carvalho no ano passado no mês de janeiro descobri que estava gravida fiquei super contente pois era o meu sonho so que infelizmente no mês de fevereiro tive o aborto e na curetagem foi detectado a mola parcial , fiz o acompanhamento com bhcg e com menos de 4 meses estava zerado e depois de um ano descobri que estou gravida de novo já marquei o ultrassom para ter certeza que esta td bem vou fazer dia 13/02/2014 e já vou aproveitar e fazer um bhcg quantitativo para tirar todas as duvidas espero que esteja td bem e que consiga realizar o meu sonho que luto para conseguir a mais de 12anos

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    2. Tenho 27 anos. Tive um aborto retido ( tinha feto, ouvi o batimento cardíaco do bebe mas com 8 semanas parou de veoluir) tive que fazer uma curetagematéria.
      Já menstruei após a curetagem e hoje fui ao médico levando o laudo da biopsia. E lá estava a tal da mola parcial.
      Como se não bastasse tuuuudo que passei. Ainda tem mais esta vassalos.
      Minha dúvida é.. após quanto tempo posso tentar novamente ?

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  4. Oi, meu nome é Ana Lucia. Tive mola invasora na minha primeira gravidez com 19 anos. Fiz quimioterapia e me curei Graças à Deus. Depois disso meu ex-marido me largou, pois queria muito ter filho. Hoje tenho 33 anos, fiz viedolaparoscopia e minhas trompas de acordo com os exames e pequenas cirurgias estão obstruídas. Meu ex-marido tem um filho e realizou seu sonho, eu moro com uma pessoa e faz uns três meses que parei de tomar anticoncepcional para tentar engravidar. Acho que se for pra ser será,mas isso tudo foi bem triste. Não gosto de ficar muito perto de nenhuma criança, tenho medo de me apegar e sofrer, então, me distancio sempre de todas. Na época a internet não era assim como hoje e somente hoje pude ler e entender um pouco do que passei. No fim, o mais importante é que estou viva e bem.

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